quinta-feira , 5 novembro 2026
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Entidades de imprensa criticam operação autorizada por Moraes contra suposta fonte de jornalista

Decisão atingiu ex-secretário do Maranhão apontado pela PF como responsável por repassar informações usadas em reportagens sobre Flávio Dino

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Rosinei Coutinho/STF

Entidades representativas da imprensa criticaram a operação de busca e apreensão autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo do Maranhão e apontado pela Polícia Federal como fonte do jornalista Luís Pablo. A ação foi cumprida na terça-feira (11).

Segundo a investigação, Cutrim teria obtido informações em sistemas de acesso restrito e repassado os dados ao jornalista, que publicou reportagens sobre o suposto uso de veículos oficiais por Flávio Dino no Maranhão. Luís Pablo já havia sido alvo de busca e apreensão em março, também por determinação de Moraes.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) manifestaram “profunda preocupação” com a medida e afirmaram que ações capazes de revelar fontes jornalísticas ameaçam a liberdade de imprensa. As entidades lembraram que a Constituição assegura o sigilo da fonte quando necessário ao exercício profissional.

A operação teve parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. Além de Cutrim, foi alvo o advogado e ex-secretário municipal Diogo Diniz Lima, suspeito de ter transferido R$ 100 mil ao blogueiro. Segundo a investigação, o pagamento e o repasse de informações fazem parte da apuração sobre um suposto monitoramento de Dino e de seus familiares.

A assessoria de Flávio Dino negou qualquer uso irregular de veículos oficiais e afirmou que o ministro e sua família foram monitorados, inclusive com levantamento de itinerários, veículos particulares e informações sobre sua equipe de segurança. Segundo Dino, as apurações buscam esclarecer a origem e os objetivos desse monitoramento.

A defesa de Cutrim questionou a operação e sustentou que a medida cria um precedente contra a preservação das fontes jornalísticas. Até a publicação das reportagens sobre o caso, Moraes e o STF não haviam se manifestado sobre as críticas feitas pelas entidades de imprensa.

Escrito por
Redação

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