Mudanças na equipe responsável pelas apurações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, aumentaram a tensão entre a Polícia Federal e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo reportagens publicadas nesta terça-feira (4), ao menos três delegados foram substituídos desde que o nome do filho do presidente Lula passou a ser analisado no caso das fraudes do INSS.
Diante das alterações, Mendonça determinou que qualquer afastamento de policiais seja previamente comunicado e que os dados obtidos nas diligências sejam enviados ao gabinete durante a investigação. O ministro também cobrou maior rapidez na análise do material apreendido.
A PF considerou as medidas uma interferência na gestão de suas equipes e acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) em busca de uma medida judicial contra as determinações. A corporação sustenta que a investigação reúne cerca de 1,7 mil itens e conta com 11 servidores, embora tenha informado que seriam necessários mais de 40 para cumprir o prazo estabelecido.
Dois inquéritos sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha estão sob a relatoria de Mendonça. Um terceiro procedimento, autorizado por Flávio Dino, apura uma possível atuação em favor de empresas interessadas em contratos com o governo federal. A abertura das investigações não representa denúncia ou condenação.
A defesa de Lulinha nega irregularidades, critica o vazamento de informações e afirma que o empresário permanece à disposição da Justiça. A Polícia Federal não havia comentado publicamente as trocas na equipe até a publicação das reportagens.

