O fim da escala 6×1 pode provocar reajustes de até 23% nas mensalidades escolares em 2027, segundo projeção da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen). A entidade afirma que o risco está ligado principalmente à forma como será calculado o descanso semanal remunerado dos professores que recebem por hora-aula.
Estudo encomendado pela Confenen estima impacto adicional entre R$ 9,3 bilhões e R$ 31,6 bilhões por ano sobre a folha das instituições privadas. No cenário considerado mais provável, o aumento seria de R$ 17,3 bilhões. Apenas a mudança no cálculo do descanso semanal poderia exigir reajustes de 8% a 11%, que, somados à recomposição anual das mensalidades, poderiam levar a aumentos de até 23%.
A entidade também calcula que até 600 mil alunos poderiam migrar da rede particular para a pública diante do aumento dos custos. Escolas pequenas, comunitárias e familiares seriam, segundo a Confenen, as mais pressionadas. A confederação pede que Congresso e governo definam ainda neste ano regras específicas para evitar insegurança jurídica e ações trabalhistas.
Entidades que representam professores contestam a projeção. A Federação dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino do Rio de Janeiro (Feteerj) e sindicatos da categoria afirmam que não é possível atribuir automaticamente à mudança da jornada um reajuste dessa magnitude e argumentam que professores já possuem regimes de trabalho específicos. A PEC que encerra a escala 6×1 prevê dois dias de descanso e redução gradual da jornada semanal para 40 horas, sem redução salarial.

