Os Estados Unidos preparam uma nova fase da ofensiva contra o crime organizado na América Latina, com a ampliação das ações para operações terrestres. A estratégia pode atingir estruturas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), classificados pelo governo americano como organizações terroristas em junho deste ano.
O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que Washington já trabalha com países da região para ampliar o combate aos grupos criminosos. Segundo ele, organizações classificadas como terroristas passam a ser consideradas “alvos legítimos” das forças americanas.
A Colômbia e o Equador já autorizaram operações conjuntas com militares americanos. Argentina, Chile, Bolívia, Peru, El Salvador, Honduras, Panamá e Paraguai também integram a coalizão criada para ampliar a cooperação contra cartéis e facções. O governo Lula não aderiu à iniciativa.
Mesmo sem operações em território brasileiro, PCC e CV podem ser atingidos em países vizinhos. As duas facções mantêm rotas, fornecedores e operadores em locais como Paraguai e Bolívia, onde estruturas criminosas poderiam ser alvo de prisões, sanções, ações de inteligência ou operações conjuntas com os Estados Unidos.
Especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo consideram pouco provável uma ação militar unilateral dos EUA dentro do Brasil, já que uma operação sem autorização de Brasília teria elevado custo diplomático e jurídico. A nova política, porém, tende a aumentar a pressão sobre o governo brasileiro por resultados no enfrentamento às facções.
A mudança representa uma escalada na estratégia americana, que até agora vinha concentrando parte de suas ações em embarcações ligadas ao narcotráfico no Caribe e no Pacífico. Segundo Washington, mais de 60 embarcações já foram destruídas nessas operações.

