Cristãos protestantes da Argélia têm realizado cultos de forma clandestina em casas, garagens e áreas rurais após o fechamento de quase todos os templos ligados à Igreja Protestante da Argélia (EPA). A comunidade cristã no país é estimada em cerca de 150 mil pessoas.
Segundo organizações que acompanham a liberdade religiosa, 46 igrejas foram fechadas pelas autoridades. A Portas Abertas informa que as 47 congregações vinculadas à EPA interromperam suas atividades, enquanto igrejas independentes também reduziram ou suspenderam encontros por medo de ações do governo.
As restrições têm como base uma legislação de 2006 que determina que cultos não islâmicos ocorram apenas em locais autorizados pelo Estado. A comissão responsável pelas permissões, porém, não funcionaria regularmente, o que impede a legalização dos templos e os deixa sujeitos a fechamento.
A mesma norma prevê penas de até cinco anos de prisão para atividades consideradas capazes de estimular a conversão de muçulmanos. Mais de 50 cristãos foram processados nos últimos anos, alguns com condenações, multas ou restrições de deslocamento.
Sem locais públicos para os encontros, líderes religiosos mantêm celebrações e ações de assistência em pequenos grupos.
“A situação é inegavelmente difícil porque fomos privados da comunhão. Mas a obra de Deus não pode parar. Temos uma necessidade desesperada de Bíblias e livros cristãos, pois os funcionários da alfândega os confiscam sistematicamente”, relatou um pastor.
A Argélia ocupa a 20ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026, elaborada pela Portas Abertas. A organização aponta que convertidos do islamismo também enfrentam pressão familiar e social, principalmente nas regiões rurais e mais conservadoras do país.

