terça-feira , 1 setembro 2026
Home Brasil Discord contesta versão do governo sobre morte de adolescente e pede liberação de lives
BrasilCiência e Tecnologia

Discord contesta versão do governo sobre morte de adolescente e pede liberação de lives

Plataforma afirma que servidor ligado ao caso já havia sido removido quando jovem morreu e questiona decisão da ANPD que suspendeu transmissões ao vivo no Brasil

31
Ivan Radic/Flickr

O Discord pediu à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) a revogação da medida que determinou a suspensão das transmissões ao vivo da plataforma no Brasil. Em resposta apresentada nesta sexta-feira (14), a empresa também contestou informações divulgadas pelo governo sobre a morte de uma adolescente de 13 anos e questionou os fundamentos usados para restringir a ferramenta “Go Live”.

Segundo o Discord, a adolescente morreu às 5h03 do dia 22 de julho, enquanto o servidor relacionado ao caso teria sido excluído às 4h15, quase 50 minutos antes. A plataforma afirma ainda que uma imagem utilizada na investigação não apresenta sua interface e sustenta que o episódio fatal ocorreu depois da remoção do ambiente investigado.

A versão contrasta com informações apresentadas pelo Ministério da Justiça. Ao divulgar os resultados da Operação Lívia, o governo afirmou que a adolescente de 13 anos havia sido incentivada a transmitir o próprio suicídio pelo Discord. A documentação da ANPD também menciona uma transmissão acompanhada por mais de 200 usuários.

A empresa contesta esse número. Segundo o Discord, o servidor era privado e só podia ser acessado mediante convite. A companhia afirma também que não recebeu denúncias de usuários que identificassem especificamente aquela transmissão. De acordo com sua cronologia, uma solicitação de emergência foi recebida às 3h50, encaminhada internamente às 4h10 e o servidor foi removido cinco minutos depois.

O embate ocorre após a ANPD determinar, na quarta-feira (12), que o Discord suspendesse em até três dias úteis a funcionalidade “Go Live” e outros recursos equivalentes de transmissão de vídeo. A restrição deve permanecer até que a plataforma demonstre ter adotado mecanismos considerados eficazes para proteger crianças e adolescentes.

A agência sustenta ter encontrado “evidências robustas” de falhas na prevenção de riscos envolvendo menores. Segundo a ANPD, as transmissões ao vivo foram utilizadas de forma recorrente em episódios envolvendo violência, assédio, automutilação e incentivo ao suicídio. A agência também afirma que alterações feitas pelo Discord na ferramenta em março tornaram o recurso menos protetivo.

O Discord, por outro lado, argumenta que é materialmente impossível cumprir a suspensão no prazo estabelecido e questiona o fato de a decisão ter sido tomada em 12 de agosto, antes do encerramento do prazo concedido para que a empresa apresentasse seus esclarecimentos, que terminava na sexta-feira (14).

Caso sejam confirmadas irregularidades, a legislação permite à ANPD aplicar medidas corretivas e multas de até R$ 50 milhões por infração. A suspensão atinge apenas as transmissões ao vivo e recursos equivalentes, sem bloquear o funcionamento geral do Discord no país.

Escrito por
Redação

Os principais acontecimentos da política, economia, cidades, meio ambiente, justiça, tecnologia, cultura, esportes e dos temas que impactam a sociedade, sempre com independência editorial e compromisso com a verdade.

Artigos relacionados

Brasil

Vazamento de gás provoca incêndio na casa do presidente do TSE, Nunes Marques

Um vazamento de gás provocou um incêndio na casa do presidente do...

Brasil

Flávio Bolsonaro repete o pai e leva “cola” na mão para entrevista no Jornal Nacional

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) chamou atenção durante a entrevista...

Brasil

Setembro Amarelo expõe lacunas na proteção de quem cuida de pessoas com deficiência

Redução ou adequação da jornada para servidores públicos responsáveis por pessoas com...

Ciência e Tecnologia

TikTok é multado em R$ 153,7 milhões por falhas na proteção de crianças e adolescentes

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) multou a ByteDance, controladora...