A pouco mais de uma semana do primeiro turno, o governo Lula lançou na última sexta-feira (25) o Desenrola Brasil 3.0. Diferentemente das fases anteriores, a nova versão prevê que a União compre carteiras de dívidas antigas de bancos e outros credores para depois oferecer aos consumidores o desconto obtido na operação.
Pelo modelo anunciado, poderão entrar no programa dívidas originalmente de até R$ 10 mil, vencidas há aproximadamente dois a quatro anos e meio. Os credores disputarão leilões oferecendo descontos, com previsão de deságio mínimo de 90%. A União poderá destinar até R$ 15 bilhões para adquirir um estoque estimado em R$ 150 bilhões em débitos.
Para quem está endividado, o governo afirma que o desconto obtido na compra será integralmente repassado. O saldo poderá ser pago à vista ou parcelado, com juros. A estimativa oficial é de R$ 75 bilhões efetivamente renegociados e até 15 milhões de pessoas alcançadas.
O desenho também beneficia os credores participantes. Bancos e empresas poderão receber pela venda de créditos inadimplidos há anos e considerados de difícil recuperação. Para o sistema financeiro, a retirada desses ativos dos balanços também abre espaço para novas operações de crédito. A medida, portanto, combina alívio para devedores com a compra, pelo poder público, de carteiras que hoje têm baixa perspectiva de recebimento.
O anúncio foi feito nove dias antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Apesar do lançamento em plena reta final da campanha, o efeito prático ficará para depois da votação: o chamamento aos credores está previsto para novembro, as propostas para dezembro e o início das renegociações com os consumidores somente para fevereiro de 2027.

