O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou nesta quinta-feira (5) sua renúncia ao cargo em meio à crise provocada pelo colapso do Ueno Bank. A saída, porém, não foi efetivada pelo Congresso, e Peña continua constitucionalmente na Presidência enquanto avança o processo de impeachment.
Na Câmara dos Deputados, 78 parlamentares aprovaram a acusação para submeter o presidente a julgamento político. A tentativa de analisar formalmente a renúncia acabou sem conclusão após a perda de quórum, e o processo seguiu para o Senado, que se constituiu como tribunal. Peña foi convocado para apresentar sua defesa às 10h desta sexta-feira (6). A votação definitiva pode ocorrer ainda ao longo do dia.
Peña afirmou que decidiu entregar o cargo pensando na estabilidade do país e na preservação das instituições. Mesmo após apresentar a renúncia, anunciou que vai se defender no Senado. A oposição e parlamentares do próprio Partido Colorado defendem a conclusão do julgamento político, que pode resultar em sua destituição.
A crise começou após a intervenção no Ueno Bank, instituição que tinha cerca de 2,9 milhões de clientes e mantinha centenas de milhões de dólares em recursos públicos. Peña, que foi acionista do grupo anteriormente ligado ao banco até março de 2025, é acusado por adversários de conflito de interesses e de responsabilidade política pela condução do caso. Ele nega irregularidades. Caso seja destituído, o vice-presidente Pedro Alliana está na linha constitucional de sucessão.

