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Evangélicos entram na disputa de 2026 com nomes fortes e bases organizadas na Bahia

Levantamento identifica ao menos 32 candidatos ligados publicamente ao segmento evangélico

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Divulgação

Pelo menos 32 candidatos ligados publicamente ao meio evangélico estão na disputa por vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) nas eleições de 2026. O número foi identificado pelo Propósito News a partir dos registros eleitorais e da trajetória pública dos concorrentes.

Desse grupo, 24 utilizam referências religiosas diretamente no nome de urna, como “pastor”, “pastora”, “irmão” ou “irmã”. Outros nomes conhecidos pela atuação em igrejas ou pela identificação pública com o segmento não fazem qualquer referência à religião no registro eleitoral.

A conta não é definitiva. A Justiça Eleitoral não informa a religião dos candidatos entre os dados disponíveis para consulta, o que impede saber exatamente quantos evangélicos concorrem na Bahia. Por isso, o levantamento considera apenas os vínculos que podem ser confirmados publicamente.

O tema ganha peso em um estado onde 23,4% da população com 10 anos ou mais se declarou evangélica no Censo 2022 do IBGE. São quase três milhões de pessoas.

Entre os candidatos de maior projeção está Raissa Soares (PL), que tenta transformar em uma vaga na Câmara dos Deputados parte da votação obtida na disputa pelo Senado em 2022. Naquele ano, a médica recebeu 1.057.085 votos, o equivalente a 14,61% dos votos válidos.

Raissa não utiliza título religioso no nome de urna, mas mantém identificação pública com o meio evangélico e com pautas conservadoras. A votação para o Senado também mostrou alcance fora de uma única denominação ou região da Bahia.

Pastor Sargento Isidório (Avante), por outro lado, leva a identidade religiosa diretamente para a urna. O deputado federal, que recebeu 77.164 votos em 2022, tenta renovar o mandato.

Isidório tem uma trajetória política marcada por alianças com diferentes grupos e governos, inclusive fora do campo conservador. A característica o diferencia de parte dos candidatos evangélicos que hoje estão concentrados no PL e no Republicanos.

Republicanos reúne nomes ligados à Universal

Márcio Marinho e Rogéria Santos estão entre os principais nomes do Republicanos na disputa pela Câmara.

Marinho, bispo ligado à Igreja Universal do Reino de Deus e presidente estadual do partido, recebeu 118.904 votos em 2022. Rogéria, missionária da denominação, conquistou uma cadeira na Câmara com 82.012 votos.

Na Assembleia Legislativa, dois deputados ligados à Universal também buscam a reeleição.

Jurailton Santos chegou à ALBA com 80.601 votos e atualmente preside a Frente Parlamentar Evangélica da Casa. José de Arimateia, que possui atuação política consolidada em Feira de Santana, foi eleito com 77.995 votos.

Os quatro já chegam à campanha com mandato e bases formadas, uma vantagem em relação a candidatos que ainda precisam se tornar conhecidos fora do ambiente das igrejas ou de suas cidades.

CEADEB apoia Samuel Júnior e Abraão Reis

Na Convenção Estadual das Assembleias de Deus na Bahia (CEADEB), a articulação eleitoral tem Samuel Júnior para deputado estadual e Abraão Reis para federal.

Samuel recebeu 98.914 votos em 2022 e terminou entre os cinco deputados estaduais mais votados da Bahia. Agora no PL, tenta permanecer na ALBA.

Abraão Reis, também do PL, é vereador de Lauro de Freitas e ganhou espaço na disputa federal depois que Alex Santana decidiu não tentar a reeleição.

A própria direção política da CEADEB já declarou publicamente apoio aos dois nomes, com a intenção de manter Samuel na Assembleia e conquistar uma vaga na Câmara com Abraão.

Para o vereador, a campanha exige uma mudança de escala. Ele foi reeleito em Lauro de Freitas em 2024 com 1.664 votos e agora precisa ampliar sua presença para outras regiões do estado. A rede de igrejas ligadas à convenção no interior deve ter papel importante nessa tentativa.

Ex-deputados tentam voltar

Abílio Santana e Pastor Manassés chegam a 2026 tentando recuperar espaço no Legislativo.

Abílio, pastor ligado à Assembleia de Deus Nação Madureira, foi deputado federal entre 2019 e 2023. Depois de mudanças partidárias durante a pré-campanha, registrou candidatura à Câmara pelo PSDB. Em 2022, recebeu 30.561 votos e não conseguiu renovar o mandato.

Pastor Manassés concorre pelo Republicanos a uma vaga na ALBA. Ele já exerceu mandato de deputado estadual e volta às urnas depois de tentativas anteriores de retornar ao Legislativo.

Os dois carregam nomes conhecidos no meio evangélico, embora hoje enfrentem uma disputa com candidatos que chegam com mandatos, estruturas partidárias mais fortes ou votações recentes mais altas.

Candidatos menos conhecidos também entram na disputa

A lista não termina nos parlamentares e ex-parlamentares.

Há candidatos que têm pouca projeção estadual, mas mantêm atuação em igrejas, bairros ou municípios específicos. Entre os nomes encontrados nos registros estão Pastor Joneci, Pastora Patrícia, Pastor Café, Pastor Regis, Pastora Renilda, Pastor Gilberto, Pastor Salomão, Pastor Vivaldino e Pastora Adriana Maria.

São candidaturas que, em muitos casos, dependem de redes locais, congregações e relações comunitárias para construir votação.

O grupo também não está restrito à direita. Irmão Cleber concorre pela federação formada por PT, PCdoB e PV, enquanto Pastor Sergio Emilio disputa pelo PSOL.

Essa diversidade partidária aparece também entre os nomes mais conhecidos. Raissa Soares, Samuel Júnior e Abraão Reis estão no PL. Márcio Marinho, Rogéria Santos, Jurailton Santos e José de Arimateia estão no Republicanos. Isidório permanece no Avante e Abílio Santana disputa pelo PSDB.

Títulos religiosos mostram apenas parte do grupo

O TRE-BA recebeu 529 pedidos de registro para deputado federal e 632 para deputado estadual, num total de 1.161 para as eleições proporcionais.

Os 24 candidatos que utilizam referências evangélicas diretamente no nome de urna representam cerca de 2,1% desses pedidos.

Quando são acrescentados políticos com vínculo público e documentado com o segmento, mas que não usam “pastor”, “pastora” ou outra referência religiosa na urna, o levantamento chega a pelo menos 32 nomes, aproximadamente 2,8% dos pedidos de registro para deputado federal e estadual.

A diferença entre esses percentuais e os 23,4% de evangélicos na população baiana também mostra uma limitação da própria forma de contabilizar essas candidaturas. Alguns dos políticos mais competitivos do segmento não utilizam qualquer título religioso no nome eleitoral.

Raissa Soares é um dos exemplos. Márcio Marinho, Rogéria Santos, Samuel Júnior e José de Arimateia também aparecem na urna sem que a identificação religiosa esteja explícita no nome.

Escrito por
Redação

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