A relação do pianista paulista Leonardo Hilsdorf com a Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) começou há mais de duas décadas, quando ele venceu o Concurso de Jovens Solistas realizado pela Orquestra, ainda no período em que Salomão Rabinovitz, que hoje dá nome à premiação, era spalla da Sinfônica. De lá para cá, Hilsdorf construiu uma carreira de projeção internacional e se consolidou como um dos mais importantes pianistas brasileiros de sua geração, com apresentações em grandes salas da Europa, dos Estados Unidos e do Brasil.
Essa história ganha agora novos capítulos nos próximos dias. Nesta sexta-feira, 21 de agosto, Hilsdorf volta a se apresentar como solista da OSBA, sob regência de Carlos Prazeres, no Teatro Dona Canô, em Santo Amaro. O concerto integra o projeto OSBA na Estrada, que leva a Orquestra a cidades do interior baiano, e acontece às 19h30, no teatro recém-reinaugurado.
Já no domingo, 23 de agosto, o pianista volta a dividir o palco com a Orquestra, desta vez, de forma gratuita, em Salvador, às 11h, no Santuário Nossa Senhora de Fátima, no Colégio Antônio Vieira. Nas duas apresentações, Hilsdorf interpreta com a Orquestra a “Rapsódia sobre um tema de Paganini, Op. 43”, de Sergei Rachmaninoff, em um programa que também celebra os 150 anos de nascimento do compositor espanhol Manuel de Falla e inclui as “Bachianas Brasileiras nº 8”, de Heitor Villa-Lobos.
A trajetória construída por Hilsdorf desde aquele primeiro encontro com a OSBA atravessou alguns dos principais palcos da música de concerto. O pianista já se apresentou no Concertgebouw, em Amsterdã; na Maison de la Radio, em Paris; na Beethoven-Haus, em Bonn; no Flagey e no Bozar, em Bruxelas; além da Sala São Paulo e do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Foi também solista residente durante dois anos na Chapelle Musicale Reine Elisabeth, na Bélgica, onde trabalhou com a pianista portuguesa Maria João Pires, sua mentora. Em 2016, foi escolhido Jovem Talento do Ano pela Revista CONCERTO.
Para Carlos Prazeres, o novo encontro reafirma a dimensão alcançada pelo músico que a OSBA conheceu ainda jovem. O regente define Hilsdorf como “um dos melhores pianistas do Brasil” e celebra a oportunidade de voltar a dividir o palco com o solista.
Música brasileira – Ao lado da circulação internacional e de um repertório que atravessa diferentes períodos da música de concerto, Hilsdorf mantém uma relação especial com a produção brasileira. Atualmente, dedica-se à gravação da obra completa para piano de José Siqueira, compositor e maestro paraibano, aprofundando sua pesquisa e seu compromisso com o repertório nacional.
Esse interesse dialoga também com uma trajetória marcada pela presença da música brasileira em seus programas. No concerto com a OSBA, essa dimensão aparece ainda na escolha de “Bachianas Brasileiras nº 8”, de Heitor Villa-Lobos, que integra o repertório da apresentação ao lado de Rachmaninoff e Manuel de Falla.
A relação de Hilsdorf com a OSBA se fortalece no campo da admiração mútua. O pianista destaca especialmente a maneira como a Orquestra se relaciona com o território e busca aproximar a música sinfônica do público.
“O Brasil sofre um pouco dessa síndrome de tentar replicar o que funciona na Europa, de tentar replicar no Brasil exatamente tal como. Mas a verdade é que o Brasil não é a Europa, não é a Alemanha, não é a Suíça, e tem uma cultura muito própria, um público muito próprio. Acho maravilhoso que o Carlos e a OSBA estejam fazendo isso de tentar levar a orquestra para perto das pessoas. A verdade é que uma orquestra sinfônica, ainda mais uma orquestra sinfônica pública, trabalha para servir às pessoas, às comunidades”, afirma Hilsdorf.
SOBRE A OSBA
Criada em 30 de setembro de 1982, a Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) é um corpo artístico do Teatro Castro Alves que teve seu processo de publicização consolidado em abril de 2017. Desde então, a Associação Amigos do Teatro Castro Alves (ATCA), entidade sem fins lucrativos qualificada como Organização Social (OS), realiza a gestão da OSBA, que permanece como corpo artístico público, sendo mantida com recursos diretos do Governo do Estado da Bahia, através da sua Secretaria de Cultura (SecultBA) e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb).

