Ao menos nove pastores e a esposa de um deles morreram vítimas do ebola na província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo, segundo relato divulgado pela organização cristã Portas Abertas. Seis desses líderes atuavam em Bunia, uma das cidades mais atingidas pelo surto.
A doença também provocou mudanças na rotina das igrejas. Cultos passaram a ter limitação de público e distanciamento entre os fiéis, enquanto batismos, reuniões de oração e atividades com crianças foram suspensos em algumas comunidades. Os funerais também seguem regras sanitárias mais rígidas para reduzir o risco de transmissão.
Apesar das perdas, líderes cristãos permanecem envolvidos na orientação da população sobre higiene, isolamento e combate à desinformação. As igrejas também mantêm ações de oração e apoio às famílias afetadas.
“Alguns de nossos fiéis estão em isolamento, outros sob observação. Acrescentamos uma oração especial em nossa liturgia por esta situação”, relatou o pastor Samy à Portas Abertas.
O atual surto foi confirmado em maio e é provocado pela variante Bundibugyo, para a qual ainda não existe vacina licenciada nem tratamento específico comprovado. A Organização Mundial da Saúde considera a participação das comunidades essencial para controlar a transmissão.
A epidemia já se aproxima de 4 mil casos confirmados e ultrapassa 1,8 mil mortes, tornando-se a maior já registrada no país. A resposta enfrenta dificuldades como conflitos armados, demora na identificação dos primeiros casos, falta de recursos e limitações na vigilância sanitária.

