O uso de VPN para acessar casas de apostas sediadas no exterior já vinha crescendo entre apostadores brasileiros antes da proibição das bets no país. A tecnologia permite alterar virtualmente a localização da conexão, dificultando os mecanismos utilizados pelas plataformas para identificar de onde o usuário está acessando.
Operadoras já haviam identificado, em 2025, brasileiros recorrendo ao recurso para acessar plataformas estrangeiras e contornar controles de geolocalização. A prática também era utilizada para tentar escapar da regra de identificação do apostador por CPF.
O cenário mudou em setembro deste ano, quando o governo federal editou medida provisória proibindo apostas esportivas e jogos on-line de quota fixa em todo o território nacional. A regra também alcança empresas sediadas no exterior que ofereçam apostas para pessoas localizadas no Brasil.
O governo intensificou os bloqueios desde então. Até sexta-feira (9), 16.627 sites ilegais haviam sido identificados e encaminhados para bloqueio. A fiscalização também encontrou mais de 20 mil páginas, perfis, grupos e servidores ligados à divulgação de apostas.
A VPN, por si só, tem usos legítimos e não é proibida. O problema, nesse caso, é sua utilização para contornar bloqueios e acessar plataformas que não podem oferecer apostas a usuários localizados no Brasil. Fora do mercado autorizado, o apostador também fica sem as proteções e mecanismos de fiscalização previstos pelas autoridades brasileiras.

