A Polícia Federal abriu um procedimento preliminar para apurar suspeitas de interferência e financiamento externo nas eleições brasileiras. A medida atende a uma representação apresentada pela Advocacia-Geral da União (AGU) e está sob responsabilidade da Diretoria de Inteligência da PF.
“Recebemos representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio”, afirmou neste domingo (4) o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Segundo ele, ainda não foi instaurado inquérito policial.
O pedido da AGU foi apresentado depois de reportagem do jornal britânico The Guardian apontar que o governo dos Estados Unidos teria destinado US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,1 milhões, a um programa chamado “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”. Segundo a reportagem, os recursos seriam voltados a organizações que questionam decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). A existência, a destinação e os eventuais beneficiários do financiamento no Brasil são objeto da apuração.
A abertura do procedimento não significa que a interferência tenha sido comprovada. Neste domingo, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que não há ameaça concreta ao processo eleitoral por agentes internacionais ou pelo crime organizado. A missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) também disse não possuir elementos para avaliar uma possível interferência estrangeira.

