Ministros do governo Lula atribuem ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), parte da responsabilidade pela saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil. Segundo apuração da coluna de Milena Teixeira, do Metrópoles, integrantes do núcleo do Palácio do Planalto consideraram “precipitada” a decisão que determinou a entrega dos passaportes do senador.
A avaliação interna é de que a medida pode fortalecer o discurso de Flávio de que seria alvo de perseguição política. “Passa de criminoso para perseguido”, afirmou, sob reserva, um ministro ouvido pela coluna. Senadores aliados de Lula também classificaram a decisão de Moraes como “inadequada” para o momento político.
A reportagem foi publicada quando ainda havia dúvidas sobre o paradeiro de Flávio. Posteriormente, a saída do senador do Brasil foi confirmada. Ele seguiu pela Argentina e pelo Equador em direção aos Estados Unidos, onde o governo Donald Trump autorizou a entrada dele e de familiares.
A preocupação entre integrantes do governo é de que a decisão de Moraes aumente a tensão política e dê força internacional à versão apresentada por Flávio de que sofre perseguição no Brasil. Ministros do próprio STF também demonstraram surpresa com a medida e avaliaram que ela poderia ampliar o acirramento político após as eleições.

