Um juiz federal dos Estados Unidos afirmou que era falso o registro de imigração usado como um dos fundamentos para a prisão preventiva de Filipe Martins, ex-assessor de assuntos internacionais do governo Jair Bolsonaro. Martins permaneceu preso por quase seis meses em 2024 por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a transcrição oficial de uma audiência realizada em março, obtida pela Folha de S.Paulo, o juiz Gregory A. Presnell, da Justiça Federal da Flórida, afirmou que houve um registro falso nos sistemas da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos e que o governo americano reconhece a irregularidade.
O documento indicava que Martins teria entrado nos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2022. Ao determinar a prisão, em fevereiro de 2024, Moraes citou a informação como um dos elementos que apontariam risco de fuga. A defesa sustentava desde então que o ex-assessor permanecia no Brasil naquele período.
Em outubro de 2025, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) já havia reconhecido que Martins não entrou no país na data registrada. Presnell agora determinou a apresentação de documentos que possam esclarecer como a informação falsa foi inserida no sistema e quem foi responsável.
A defesa de Martins afirma que o episódio reforça suas acusações de abuso no processo que levou à prisão. Procurado pela Gazeta do Povo, o STF não havia se manifestado sobre a declaração do juiz até a publicação da reportagem na sexta-feira (21).

