A Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional divulgou nota de repúdio ao monitoramento de cultos e missas realizado durante o período eleitoral por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com a organização More in Common. A entidade questiona a participação de uma universidade pública na iniciativa e afirma que o trabalho pode representar uma forma de vigilância sobre comunidades religiosas.
O estudo “Fé e voto: um retrato do discurso eleitoral nas igrejas brasileiras” analisou 7.456 celebrações transmitidas publicamente pelo YouTube nos dias 20 e 27 de setembro, totalizando mais de 13 mil horas de conteúdo. O objetivo declarado pelos pesquisadores foi identificar menções políticas, propaganda eleitoral e possíveis irregularidades. Ao todo, 3,2% das celebrações analisadas apresentaram algum tipo de propaganda eleitoral.
Na nota, a Frente argumenta que a ampla maioria das celebrações não registrou menções eleitorais e critica o que chama de “presunção coletiva de ilicitude” contra igrejas, pastores, padres e fiéis. “Os próprios números divulgados desmentem a suspeição: na ampla maioria das horas analisadas, não houve qualquer menção às eleições. Os púlpitos brasileiros seguem cumprindo sua missão espiritual”, afirma o documento.
A bancada também cita a liberdade de crença garantida pela Constituição e lembra que informações sobre religião são consideradas dados pessoais sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados. A Frente pede que a UFRJ esclareça a aprovação ética do projeto, as fontes de financiamento e a destinação das informações coletadas. “A fé não pode ser motivo de intimidação, em período eleitoral ou fora dele”, conclui a nota assinada pela presidente em exercício, deputada Greyce Elias.
Os pesquisadores afirmam que o levantamento utilizou apenas transmissões disponibilizadas publicamente na internet. Entre os resultados, propaganda eleitoral foi identificada em 8,3% dos cultos das Assembleias de Deus, 1,4% das celebrações batistas e 0,7% das missas católicas.
Confira a nota na íntegra
FRENTE PARLAMENTAR EVANGÉLICA DO CONGRESSO NACIONAL
“Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor.”
Salmos 33:12
NOTA DE REPÚDIO
A Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional manifesta seu veemente repúdio ao monitoramento de cultos e missas realizado às vésperas das eleições por organização da sociedade civil, em parceria com grupo de pesquisa de universidade federal, com o declarado propósito de verificar se líderes religiosos estariam cometendo crime eleitoral.
A Constituição Federal assegura a liberdade de crença e o livre exercício dos cultos (art. 5º, VI) e veda ao poder público embaraçar o funcionamento das organizações religiosas (art. 19, I). Preocupa especialmente o envolvimento de instituição pública de ensino em iniciativa que submete igrejas, pastores, padres e fiéis a uma presunção coletiva de ilicitude.
A convicção religiosa é, ademais, dado pessoal sensível nos termos da Lei Geral de Proteção de Dados, e seu tratamento exige finalidade legítima e salvaguardas rigorosas.
Os próprios números divulgados desmentem a suspeição: na ampla maioria das horas analisadas, não houve qualquer menção às eleições. Os púlpitos brasileiros seguem cumprindo sua missão espiritual.
A legislação eleitoral deve ser cumprida por todos, e irregularidades concretas devem ser apuradas pelos órgãos competentes, com base em fatos e no devido processo legal. O que não se admite é converter a apuração de condutas individuais em vigilância generalizada sobre comunidades de fé.
Por isso, a Frente Parlamentar Evangélica solicita que a Universidade Federal do Rio de Janeiro esclareça publicamente os termos de sua participação, a aprovação ética do projeto, suas fontes de financiamento e o destino dos dados coletados, e adotará as providências parlamentares cabíveis.
A fé não pode ser motivo de intimidação, em período eleitoral ou fora dele.
Que Deus abençoe o Brasil!
Brasília-DF, 15 de outubro de 2026

