A religião aparece como um dos principais fatores de diferenciação na opinião dos brasileiros sobre a morte assistida. Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (16) mostra que os evangélicos são o grupo mais resistente à possibilidade de um médico ajudar um paciente terminal a encerrar a própria vida.
Entre os evangélicos entrevistados, 34% consideram moralmente aceitável esse tipo de assistência. Entre os católicos, o percentual sobe para 41%. Já entre pessoas sem religião, 57% dizem considerar a prática moralmente aceitável.
No conjunto da população brasileira, 51% consideram moralmente errado que um médico ajude um paciente terminal a encerrar a própria vida, mesmo quando há um pedido do próprio doente. Outros 42% avaliam a prática como moralmente aceitável.
A pesquisa também mostra maioria contrária à eutanásia e ao suicídio assistido. A eutanásia é rejeitada por 56% dos entrevistados, enquanto 39% se dizem favoráveis. No caso do suicídio assistido, 60% são contra e 35% apoiam.
Outro ponto abordado pelo levantamento foi o direito de uma pessoa decidir o momento e a forma da própria morte. Para 51% dos entrevistados, esse direito não deveria existir, enquanto 46% concordam com essa possibilidade.
Interrupção de tratamento divide brasileiros
A posição fica mais equilibrada quando a questão envolve a suspensão de tratamentos que apenas prolongam a vida de pacientes sem possibilidade de cura. Nesse cenário, 48% defendem que médicos possam interromper o tratamento a pedido do paciente ou da família e outros 48% são contrários.
Além da religião, a idade também influencia as respostas. Entre os jovens de 16 a 24 anos, 63% consideram moralmente aceitável a assistência médica para encerrar a vida de um paciente terminal.
No Brasil, a eutanásia não é autorizada e pode ser enquadrada como homicídio. O auxílio para que uma pessoa tire a própria vida também é previsto como crime pelo Código Penal.
O Datafolha ouviu 2.050 pessoas em 137 municípios nos dias 3 e 4 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

