A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou R$ 100 milhões em despesas nas eleições de 2026, sendo R$ 31 milhões destinados à Delta Comunicação e Projetos. A empresa é a maior fornecedora da candidatura até o momento e pertence aos publicitários Francisco Kertész e Raul Rabelo, ex-sócios do ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira.
A Delta foi criada em 1º de dezembro de 2025. Kertész e Rabelo integravam com Sidônio a Nordx Estratégia e Criatividade. O ministro deixou a sociedade no fim daquele mês, quando vendeu sua participação de 40% por R$ 960 mil. A Nordx, anteriormente chamada M4 Comunicação e Propaganda, trabalhou na campanha presidencial de Lula em 2022, ao custo de R$ 37 milhões.
A relação comercial envolvendo antigos parceiros de Sidônio já havia chamado atenção anteriormente. Outra empresa de Kertész, a produtora Macaco Gordo, recebeu cerca de R$ 12 milhões pela execução de campanhas publicitárias da Caixa Econômica Federal e da Embratur entre 2023 e 2025. Na ocasião, Sidônio negou qualquer interferência nas contratações, e as empresas envolvidas afirmaram que os serviços foram escolhidos com base em critérios técnicos e de preço.
Os pagamentos de R$ 31 milhões da campanha à Delta, por si só, não indicam irregularidade. Os dados, porém, colocam novamente em evidência a presença de antigos sócios do ministro responsável pela comunicação do governo entre os principais fornecedores ligados a Lula.

