Candidato à reeleição, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) colocou o combate às facções entre as prioridades de seu programa para os próximos quatro anos, caso eleito. As promessas são apresentadas em um cenário no qual a Bahia ainda convive com índices elevados de violência e com disputas territoriais entre organizações criminosas em diferentes municípios. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram cidades baianas entre aquelas com altas taxas de mortes violentas no país.
O plano reúne 13 compromissos para a segurança pública. Entre eles estão novas contratações de policiais e bombeiros, fortalecimento da investigação e da perícia, criação de uma Plataforma Estadual Integrada de Dados e Inteligência e ampliação das ações contra o patrimônio das facções. Também estão previstas unidades prisionais de segurança máxima e maior utilização de câmeras corporais, reconhecimento facial, videomonitoramento e leitura automática de placas.
O enfrentamento às organizações criminosas já aparece como um dos principais desafios reconhecidos pela própria estrutura de segurança do Estado. Relatório da SSP registra operações voltadas especificamente para áreas onde facções disputam territórios e relaciona esses conflitos aos índices de crimes violentos letais. O documento cita, entre outras, ações em Salvador e Jequié.
Nesta quarta-feira (16), Jerônimo utilizou resultados recentes das forças policiais para defender a estratégia de atingir também o poder financeiro desses grupos. Segundo o governador, três operações realizadas em uma semana prenderam 65 suspeitos, apreenderam armas e drogas e bloquearam mais de R$ 100 milhões. “Minha ordem é essa. As forças de segurança da Bahia, em cooperação com as polícias de outros estados e a Polícia Federal, atuando para asfixiar cada vez mais o crime organizado, enfrentar as facções criminosas e devolver a paz às famílias baianas. Não recuaremos dessa missão”, afirmou.
As propostas representam compromissos para um eventual segundo mandato e ainda dependeriam de implementação. O desafio colocado para o próximo governo será conciliar o enfrentamento às facções com a manutenção da redução dos indicadores de violência já registrada recentemente. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública também aponta outro problema relevante na Bahia: em 2024, o estado apresentou taxa de 10,5 mortes decorrentes de intervenções policiais por 100 mil habitantes, em um cenário que levou o próprio governo estadual a criar medidas voltadas à qualificação da atuação policial.

