Em editorial publicado nesta quinta-feira (1º), O Globo, um dos maiores jornais do país, fez duras críticas às decisões judiciais que antecederam o cancelamento do debate presidencial da TV Globo. Sob o título “Sem liberdade não há debate”, o jornal afirmou que houve interferência na autonomia da imprensa e defendeu a decisão da emissora de não realizar o encontro.
O editorial destaca a decisão da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que, após pedido do PT, proibiu a Globo de exibir o púlpito vazio reservado ao presidente Lula e de permitir perguntas dirigidas ao candidato ausente. Segundo O Globo, a regra havia sido acertada previamente com as campanhas, inclusive a petista. Na avaliação do jornal, a determinação alterou de última hora condições previamente estabelecidas para o debate.
Outro ponto foi a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a inclusão de Renan Santos (Missão). Pela legislação eleitoral, emissoras são obrigadas a convidar candidatos de partidos ou federações com pelo menos cinco representantes no Congresso. Candidatos que não atingem esse critério podem ser convidados por decisão da emissora. Gilmar entendeu, porém, que as circunstâncias do caso justificavam a participação de Renan.
O Globo classificou as intervenções como violações à liberdade de imprensa e sustentou que, diante das mudanças, o cancelamento foi a medida adequada. A Globo afirmou oficialmente que as decisões tomadas poucas horas antes do programa criaram “insegurança jurídica” e representaram interferência indevida na liberdade dos veículos para organizar debates eleitorais. Entidades como Abert, Aner e ANJ também criticaram as decisões e manifestaram solidariedade à emissora.

