A dez dias do segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou a tentativa de aproximação com os evangélicos, segmento no qual enfrenta ampla desvantagem eleitoral. Nesta quarta-feira (14), o petista divulgou uma carta aberta às famílias evangélicas, citou Deus, falou em proteção divina e pediu que os fiéis busquem “discernimento” antes de votar.
Pesquisa Quaest divulgada também na quarta mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 60% das intenções de voto entre os evangélicos, contra 28% de Lula. No cenário geral, os dois aparecem tecnicamente empatados, com 46% para Flávio e 44% para o atual presidente.
Na carta, Lula afirma que não é evangélico, mas diz ter “total respeito” pelo segmento e destaca pautas como o fim da escala 6×1 e o combate às apostas on-line. O documento faz parte de uma estratégia organizada pelo PT para reduzir a resistência histórica enfrentada pelo presidente entre eleitores cristãos. Desde agosto, o partido vem estruturando uma rede de comitês voltados especificamente para esse público.
A tentativa de aproximação contrasta com episódios que provocaram desgaste entre o governo e lideranças evangélicas ao longo do ano. No Carnaval, a Acadêmicos de Niterói levou à Sapucaí um enredo em homenagem a Lula e apresentou a ala “neoconservadores em conserva”, com representações de famílias conservadoras dentro de latas. O desfile, acompanhado pelo presidente, gerou críticas das frentes parlamentares evangélica e católica e de pastores de diferentes correntes. O governo negou participação na elaboração da apresentação.
Agora, já na reta final da campanha, o discurso religioso ganhou espaço na estratégia petista. Lula afirma na carta ter chegado até aqui “com a proteção divina” e conclama os evangélicos a irem às urnas com “a aliança renovada com o nosso amado Brasil”. O gesto ocorre justamente quando esse eleitorado pode ter peso relevante no resultado do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

