Publicações nas redes sociais defendendo a chamada “kirkificação” de Flávio Bolsonaro (PL), Nikolas Ferreira (PL-MG) e outros nomes da direita brasileira passaram a preocupar aliados na reta final da eleição. A expressão faz referência ao ativista conservador americano Charlie Kirk, assassinado a tiros nos Estados Unidos em setembro de 2025.
Levantamento publicado pelo site A Investigação identificou dezenas de mensagens no X em que usuários fazem referências a tiros, atiradores e ataques contra políticos. Flávio aparece como o alvo mais recorrente. Entre as publicações reunidas, há perfis que se identificam com a esquerda, manifestam apoio ao PT ou utilizam o número 13. Isso, porém, não comprova que exista uma ação organizada por partido ou campanha eleitoral.
Nikolas também vem sendo alvo desse tipo de mensagem. Em Pernambuco, ameaças relacionadas à participação do deputado em um ato de campanha no próximo dia 22 levaram aliados a procurar a Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Ministério Público e Polícia Legislativa para pedir reforço na segurança. Entre os comentários divulgados há referências explícitas a “kirkificar” o parlamentar.
Em julho, levantamento da inteligência da Polícia do Senado apontou 2.288 registros classificados como ameaças, incitações à violência, referências codificadas ou conteúdos relacionados à possibilidade de ataques. Foram contabilizadas 868 ameaças explícitas. O efetivo destinado à proteção do candidato foi triplicado e ele passou a utilizar colete balístico em eventos.
A utilização do assassinato de Kirk como ameaça contra políticos brasileiros não começou nesta semana. Em janeiro, a Polícia Legislativa abriu investigação após uma publicação do humorista Tiago Santineli sugerir que Nikolas fosse “desligado” da mesma forma que o americano. Em março, uma pichação na Universidade Federal de Minas Gerais também desejava ao deputado destino semelhante ao de Kirk.
Até o momento, as mensagens reunidas nas redes não demonstram a existência de um grupo estruturado para executar atentados. O conteúdo, no entanto, aumenta a preocupação com episódios de violência política em uma campanha que entra em sua última semana antes do segundo turno.

