A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de proibir as bets no Brasil provocou reação de clubes de futebol, que apontam prejuízos com contratos já firmados e questionam a mudança nas regras do setor. A medida provisória assinada na sexta-feira (25) proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa e estabelece um cronograma para a retirada das plataformas do ar.
O Flamengo foi um dos primeiros a reagir. Além de divulgar uma nota intitulada “Proibir não acaba com o jogo”, o presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, estimou perda imediata entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões em receitas no próximo ano. “Isso traria impactos desastrosos para o Flamengo como um todo, não só no futebol, mas também nos esportes olímpicos”, afirmou à CNN.
Bap também respondeu à declaração de Lula de que os clubes teriam de aprender a viver sem o dinheiro das apostas. “Nós não estamos fazendo nada de errado. Nós temos que nos ajustar ao que seja o marco regulatório do país”, disse. Segundo o dirigente, o impacto para todo o futebol brasileiro pode chegar a R$ 2,5 bilhões em 2027.
O Fluminense também se manifestou. O presidente Mattheus Montenegro afirmou que a perda para o clube deve superar R$ 100 milhões. “Aqui no Fluminense temos o impacto de mais de R$ 100 milhões com a medida”, declarou. O dirigente citou, além do patrocínio máster, contratos de publicidade e estoques de camisas já produzidas com a marca da patrocinadora. Em nota, o clube alertou que “uma mudança abrupta gera prejuízos e pode custar milhares de empregos em toda a cadeia”.
A reação não começou agora. Na semana anterior, clubes das Séries A, B e C já haviam aderido a uma manifestação em defesa do mercado regulamentado. Entre eles estavam Atlético-MG, Botafogo, Chapecoense, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco. As entidades reconheceram problemas como endividamento e dependência associados às apostas, mas defenderam fiscalização e regras mais rígidas em vez da proibição.

