A desigualdade de renda continua refletida diretamente no aprendizado dos estudantes brasileiros. Entre os alunos mais pobres, 67% não conseguem atingir o nível mínimo esperado de leitura. No grupo de maior nível socioeconômico, o percentual cai para 26%, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (17).
Os dados fazem parte do relatório Education at a Glance 2026, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e consideram o desempenho de estudantes de 15 anos no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). A diferença entre os extremos socioeconômicos chega a 41 pontos percentuais.
O problema também aparece em matemática. Estudantes de famílias com menor renda apresentam desempenho significativamente inferior ao registrado entre os mais favorecidos, reforçando o peso das condições socioeconômicas sobre a aprendizagem no país.
O levantamento chama atenção para um problema que vai além do acesso à escola. Embora o Brasil tenha ampliado a presença de crianças e adolescentes nas salas de aula nas últimas décadas, uma parcela expressiva chega à adolescência sem dominar competências consideradas básicas para a idade.
A OCDE compara indicadores educacionais de dezenas de países e economias. Os resultados brasileiros reforçam o desafio de reduzir a distância de aprendizagem entre estudantes de diferentes condições sociais, principalmente na educação básica.

