O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Brasil “falhou” no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV) e cobrou medidas mais duras contra as duas facções. A declaração consta em documento enviado pela Casa Branca ao Congresso americano sobre o combate internacional ao narcotráfico.
No documento, Trump afirma que PCC e CV representam uma ameaça crescente e que o governo brasileiro precisa agir para impedir a expansão das organizações. Os Estados Unidos classificaram os dois grupos em maio como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e anunciaram posteriormente a designação como Organizações Terroristas Estrangeiras. Washington afirma que as redes das facções já alcançam o território americano.
A crítica provocou reação do governo Lula. O Ministério da Justiça afirmou que “refuta quaisquer alegações de que existam falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado transnacional” e citou a Lei Antifacção, operações policiais e ações para atingir financeiramente as organizações criminosas.
O governo também destacou uma operação integrada realizada nesta quarta-feira (16), que resultou, segundo o Ministério da Justiça, em 137 prisões, 44 flagrantes e mais de R$ 508 milhões em bens e ativos bloqueados judicialmente. O ministro Wellington Lima e Silva afirmou que os resultados contradizem a avaliação feita por Trump.
A classificação americana de PCC e CV como organizações terroristas também provoca divergência política no Brasil. O governo Lula se posicionou contra esse enquadramento e argumenta que ele pode criar riscos à soberania nacional. Em agosto, o próprio Departamento de Estado afirmou à CNN que a designação, isoladamente, não concede às Forças Armadas americanas novos poderes para atuar em território brasileiro.

