A candidata ao Senado pela federação PSOL-Rede, Professora Delliana, afirmou que sua chapa representa a “esquerda de verdade” na disputa eleitoral da Bahia e defendeu uma mudança nas práticas políticas do estado. A declaração foi feita durante entrevista ao programa “Levante a Voz”, apresentado por Itajay Júnior, na Rádio Andaiá FM. Única mulher na corrida por uma vaga no Senado pela Bahia, Delliana também apresentou posições sobre educação, saúde, direitos dos trabalhadores e enfrentamento à violência contra a mulher.
Durante a entrevista, Delliana fez questão de diferenciar a posição de sua candidatura em relação ao cenário nacional e estadual. Segundo ela, apesar do apoio à reeleição do presidente Lula como estratégia de enfrentamento à extrema-direita, o PSOL-Rede mantém independência e divergências com o governo do PT na Bahia. A federação tem Ronaldo Mansur como candidato ao Governo do Estado. “Nós somos a esquerda de verdade. Não temos nenhum envolvimento com nenhum desses escândalos financeiros que têm assombrado o país”, afirmou.
Na educação, a professora criticou o modelo que classificou como “aprovação automática” na rede estadual. Para Delliana, promover estudantes sem assegurar a aprendizagem necessária pode comprometer o futuro dos jovens, especialmente no acesso à universidade e ao mercado de trabalho. A candidata defendeu uma educação pública que priorize a aprendizagem efetiva e a valorização da escola.
Na saúde, questionou a concentração de investimentos em grandes unidades hospitalares e a participação da iniciativa privada na gestão desses equipamentos. Para ela, é necessário ampliar a atenção básica e a medicina preventiva, com equipes multidisciplinares e estrutura adequada nos municípios, reduzindo a dependência de um modelo centrado no tratamento da doença.
A candidata também voltou a defender o fim da escala 6×1 e criticou a atuação do Senado diante de propostas relacionadas à redução da jornada de trabalho. Segundo Delliana, garantir mais tempo para convivência familiar, descanso e lazer deve fazer parte de uma agenda de valorização da classe trabalhadora. “A gente tem um Senado que tem sido inimigo do povo, porque pautas importantes para os trabalhadores ficam travadas. O trabalhador precisa ter direito a viver para além do trabalho”, defendeu.
Outro ponto central da entrevista foi o enfrentamento à violência contra as mulheres. Delliana defendeu o fortalecimento da rede de proteção e a ampliação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), inclusive no interior, com atendimento permanente.
Para a candidata, a existência da Lei Maria da Penha precisa ser acompanhada por uma estrutura pública capaz de acolher e proteger efetivamente as vítimas. Delliana também rejeitou o armamento da população como resposta para a violência. “O Estado é o garantidor de nossa vida e não pode se omitir. Precisamos de uma rede que funcione e que faça a mulher se sentir protegida quando tiver coragem de denunciar”, concluiu.

